Cores Primárias - Edição 15

Exposições

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O Universo Simbólico de Torres Garcia

Escrito por Da Redação. Posted in Exposições

               A entrevista com a crítica de arte Mariza Bertoli, no espaço da mostra realizada na Pinacoteca de São Paulo, contribui para o entendimento dos esquemas simbólicos utilizados por Torres Garcia ao longo de sua trajetória. 

               O que significa o desenho do triângulo, posicionado sempre acima da cabeça? E o sol colocado ao lado da lua ? O coração, o denário, o homem ao lado da mulher, o peixe, a escada, a casa, o relógio? E tantos outros símbolos recorrentes na sua obra?
 
               Ao inverter a  cartografia da América do Sul, posicionando-a acima da linha do Equador, Torres Garcia, segundo a crítica,  propõe igualmente a inversão (ou abolição) dos conceitos de centro e de periferia. O centro do mundo é o lugar de onde falamos, e periferia nada mais é que uma construção conceitual da colonialidade.
 
               Mariza Bertoli é crítica da arte da ABCA e fundadora do Fórum Permanente de Reflexão sobre Arte Latino Americana. Veja o vídeo.
 

O Universo Simbólico de Torres Garcia
Gravado no espaço da mostra Torres Garcia- Geometria, criação e proporção
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Realização: Cores Primárias e MDJ Produções
Direção: Margarida Nepomuceno e Mary Pearce
Edição e Produção: MDJ Produções
Arte: Mary Pearce
Duração: 8mm
 
 
 
 
 
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Testemunho e poesia nas fotografias de Manuel Álvarez Bravo

Escrito por Margarida Nepomuceno. Posted in Exposições

O eclipse, 1933
Manuel Álvarez Bravo © Colette Urbajtel/ Asociación Manuel Álvarez Bravo, a.c.

 

          A exposição do fotógrafo mexicano Manuel Álvarez Bravo ( 1902-2002) em curso no Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio de Janeiro, apresenta-nos a rara oportunidade de conhecermos um dos fotógrafos mais importantes da história da fotografia moderna latino americana. A exposição tem como curadores  Sergio Burgi, coordenador de fotografias do IMS, e Aurélia Álvarez Urbajtel, filha do fotógrafo,  e objetiva mostrar uma panorâmica dos 70 anos de atividade do artista, com trabalhos  que remetem ao início dos anos 20 até as últimas produções, em 1990.
 
          Álvarez Bravo percorreu todos os trajetos da fotografia moderna: dos registros políticos e sociais, ao experimentalismo geométrico ou às construções surrealistas; dos retratos e das cenas do cotidiano da vida indígena aos registros dos encontros da vanguarda cultural mexicana e internacional. Deixou registrado em todo o seu percurso profissional, a preocupação não somente de revelar o México dos brilhantes muralistas, que naquele momento já eram reconhecidos  como vanguardas artísticas e engajados militantes da esquerda , mas de construir uma iconografia focada na genuína cultura indígena. Poderíamos denominá-la de antropológica, não fosse a construção poética que envolve cada um dos seus trabalhos, mesmo em sua fase mais realista, no início dos anos 20, quando fotografava greves e mortes de trabalhadores.
 
          Os 400 trabalhos do fotógrafo estão divididos em núcleos cronológicos e temáticos e ocupam quase todas as salas internas  da ex-residência dos Moreira Salles, hoje sede do Instituto que leva o nome da família, no bairro da Gávea.  Fotografias como “ Trabalhadores em greve”, de 1934; “Homem de Papantia”, de 34-35; “Filha dos dançarinos”, de 1933; “Menina vendo passarinhos”, de 1931; “Caixa de visões”, de 1938, e outras, agrupam-se na sala “Surrealismo e Política”. Para os trabalhos do final da década de 30 e de 40, há também uma sala especial e aí vemos uma preocupação direta do artista em registrar poeticamente as comunidades indígenas de povoados, comunidades e vilas mexicanas: ” El tempo del trigo rojo”, de 1949; “Menino Maia de Tulim”, de 1943; “Senhõrita Juaré”, de 1934; “Baudelio”, de 1934 e o emocionante trabalho que retrata a simplicidade de um menino indígena “León de Angahuá”, de 1948,  e “Margarita de Bonampak”, de 1949, entre dezenas de outros.