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Obras de Munch
em duas Bienais de São Paulo

As obras do artista norueguês Edvard Munch estiveram na 2ª e 23ª edições da Bienal Internacional de São Paulo
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27ª Bienal
Como Viver Junto

Para Rosa Martinez, co-curadora da 27ª Bienal de São Paulo, o tema Como viver junto da próxima mostra internacional de artes de outubro é um verdadeiro desafio: a globalização unifica aparentemente as pessoas.
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Após a publicação na Revista Times, em 1961, O Grito transformou-se em expressão dos infortúnios da modernidade.
Edvard Munch sabia da importância dessa obra pois fez 105 versões dela marcando a sua presença na história das vanguardas européias.

O GRITO


Têmpera s/ prancha, 83,5x66 cm. Munch Museum, Oslo, 1893.

 

                     As perdas familiares do pintor norueguês Edvard Munch ( 1863  a 1944) – primeiro a mãe aos cinco anos, depois as duas irmãs e por último o pai -  e a vida difícil em Kristiania, em Oslo, foram determinantes para a escolha dos temas que o acompanhariam  ao longo de sua trajetória. É tido como um dos precursores do modernismo alemão, autor de seu próprio manifesto, produzido em 1889, no qual declara sua intenção de pintar mais do que meros  enfeites de paredes, mas “uma arte que saia do âmago do coração”*.
                     Fez bem mais do que isso.  A expressão que Munch procura dar ao sofrimento, à angustia e melancolia, seus temas recorrentes,  dá a medida exata da importância que ele confere aos sentimentos  e estados psíquicos dos seres humanos. Em O Grito, o artista busca a expressão do som desesperado emitido pela natureza. O tratamento acentuado das cores não é resultado de pesquisas de efeitos cromáticos, como foi para os impressionistas. Representou  o caminho encontrado para expressar a atmosfera de angústia e sofrimento que envolve seus personagens.

                     De degenerada à ícone

                     O pintor norueguês esteve por diversas vezes em Paris convivendo com impressionistas , fauvistas e simbolistas, mas manteve convívio mais estreito com os artistas alemães. Munch foi um dos inspiradores dos expressionistas alemães, e reconhecido pelas vanguardas européais como um dos precursores do modernismo alemão. Não foi aceito, entretanto, durante muito tempo, em seu próprio país,  nem tampouco na Alemanha do final do século 19. Em 1892, Munch teve que retirar seus quadros de uma exposição, em Berlim, tal o escândalo provocado. Na Alemanha dos anos 30, já reconhecido em toda a Europa, teria sofrido as mesmas represálias nazistas que vitimaram seus contemporâneos e parceiros da mesma corrente -mais tarde denominada expressionista-, Kirchner, Heckell e Rottluft . Seus quadros , cerca de 82, foram classificados como arte degenerada e também confiscados e destruídos.
                     Dezessete anos após a sua morte, ocorrida em 1944, aos 81 anos, a Revista Times estampou O Grito em sua capa com a legenda Culpa e Desespero, passando  dessa data  em diante, a expressar o espírito de  uma contemporaneidade preemida  pelas  catástrofes, desigualdades e infortúnios provocados pelo pós- guerra.
                     O Grito transformou-se em ícone da modernidade e como tal é vítima de sua própria popularidade. Milhares de reproduções de toda espécie são feitas anualmente de O Grito e espalhadas pelo mundo como souvenires criando um distanciamento do seu sentido original. Distanciamento mas não a perda de aura. Quando O Grito (o original de 1893), foi roubado da National Gallery, de Oslo, em 1998, sob as barbas da (in) segurança, os dirigentes do museu tiveram que colocar uma reprodução impressa no lugar do original para satisfazer a curiosidade de milhares de pessoas que foram até lá conferir a ausência da obra e a mensagem deixada pelos ladrões, que agradecia “ pela péssima  segurança”.

                     Obra seriada

                     Foi o próprio Munch quem desencadeou a idéia de reprodutibilidade em suas obras O artista costumava produzir versões diferenciadas do mesmo tema. Chegou a fazer 105 versões de O Grito: duas são consideradas originais, a da National Gallery,  produzida em 1893, em pastel, e a do Munch Museum ,têmpera s/ papel, ambas em Oslo. A maior parte das reproduções  foram feitas em xilogravura e litografia, e algumas em aquarelas e óleo.  Dezesseis versões foram feitas também  do quadro As  Meninas no Cais, de 1889. Entretanto, as diferentes técnicas utilizadas pelo artista não alteravam, substancialmente, a significação original da tela..

Tinham o propósito de aperfeiçoar o refinamento técnico-expressivo e de amadurecer as  referências do artista.

                     Já para Paulo Roberto Arruda de Menezes, autor do ensaio A Pintura Trágica de Munch, publicado na revista Tempo Social, da Faculdade de Sociologia da USP, Munch, provavelmente, não foi o inventor das reproduções em série, nem foi o primeiro a usar esse recurso, mas utilizou-o no decorrer de toda a sua obra. “Raras são suas pinturas em exemplar único. (...) eram feitas tanto utilizando-se outros óleos, como mudando-se de meio de trabalho, em gravuras ( lito, xilo, metal, etc) ou aquarelas”, escreve. O historiador faz um paralelo entre as reproduções feitas por Monet, Van Gogh  e Cézanne e analisa as diferenças com as obras seriadas de Munch.
                     Enquanto que para Monet as séries tinham como objetivo captar as variações de forma e cor dos objetos expostos a luminosidades diferentes em Munch, as reproduções não se transformaram em um sistema, com regras estabelecidas.
“Na verdade, escreve o autor, suas pinturas podem ser agrupadas e reagrupadas, como o próprio Munch fazia (...) de maneira diferente, alterando-se a ordem das telas referentes a um mesmo tema (...)”.
                     A Pintura Trágica de Munch trata das relações analisadas pelo autor, entre a sua pintura e a filosofia de Nietzche. Sabe-se que o artista não conheceu pessoalmente o escritor, somente a sua irmã Elizabeth – citado por Paulo Mendes em seu ensaio, mas fez três retratos de Nietzsche, dois óleos e um lápis sobre cartão.

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Manifesto

Queremos mais do que uma mera fotografia da natureza. Não queremos pintar quadros
bonitos para serem pendurados nas paredes das salas de visitas. Queremos criar uma
arte que dê algo à humanidade. (...) Uma arte que atraia a
atenção e absorva. Uma arte criada do âmago do coração
.

Trecho do manifesto escrito por Munch aos 26 anos e transcrito no catálogo da representação da Noruega na 23ª Bienal de São Paulo de 1996.

 
No Painel de Críticas

Leia o historiador
Norbert Lynton sobre a importância de Munch para o Expressionismo na Alemanha e Geraldo Ferraz, crítico de arte dos anos 60, sobre a obra de Munch e a construção do Museum de Oslo, para a comemoração do centenário de nascimento do artista(1863-1963).
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Roubo não,
sequestro

Avaliado recentemente,
em US$20 milhões (R$ 44 milhões), O Grito já foi roubado dos museus da Noruega duas vezes. Na última, levaram também um das cinco versões da Madonna (acima),tela pintada em 1894.

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A arte é o oposto da natureza
Carta de Munch escrita entre 1907 e 1908
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