O período estudado por Maria Cecília França compreende os anos de 1966 a 1975, particularmente no Estado de São Paulo. De acordo com a pesquisadora, ao mesmo tempo em que era assinado o Ato Institucional
no 3, através do qual o cidadão brasileiro deixaria de votar, durante longos anos, para os cargos majoritários, Assis Chateaubriand inaugurava um dos museus regionais no eixo Rio-São Paulo. Empenhado nessa nova tarefa, o fundador do Museu de Arte de São Paulo, ao inaugurar os museus pelo Interior e capitais do Brasil, não contava somente com a companhia de Yolanda Penteado, ex-esposa de Ciccillo Matarazzo. Acompanhavam-no, segundo a pesquisadora, representantes de todos os poderes constituídos bem como ministros do governo golpista. Um comportamento no mínimo parodoxal. Como proprietário dos Diários Associados, Chateaubriand fazia noticiar em suas páginas o “Manifesto à Nação”, de repúdio à censura da imprensa, bem como informações sobre a criação de museus por todo o Brasil, embalado pelo discurso de integração nacional.
É desse período ( 1966-1975) a criação de dezenas de museus regionais e de arte contemporânea em muito cantos do país bem como de galerias, cujas funções nada tinham com o formato atual de venda de arte. São dessa época o Museu Regional Dona Beija, o MAC de Olinda, Museu Regional Pedro Américo, Museu Regional Feira de Santana, Galeria Brasiliana, Galeria Boitatá (RS), Museu do Folclore (RJ), Museu Colono ( Sta Leopoldina-ES), Museu da Marinha(RJ), o Museu Sertanista (SP), o Museu de Arte de Goiás, e muitas outros.
Mas a corrida pela criação de museus, aqui em São Paulo, havia se iniciado ao tempo de Jânio Quadros. Em 1957 e 1958, o então governador de São Paulo, através de um decreto-lei, criou uma rede de museus pelo Interior. Até 1998 muitos ainda constavam apenas no papel. Alguns foram fechados e outros municipalizados.
Boa parte desses museus recebeu acervos de artistas ingleses e paulistas, menos de artistas japoneses, cujas obras, segundo Maria Cecília, sofriam restrições de circulação desde o período da 2ªGuerra Mundial. Só no Estado de São Paulo, contabilizou a pesquisadora, cerca de 60 museus foram criados. O colecionismo estava na base dos acervos dos novos museus. E a memória agregada às coleções, através de uma diversidade de artefatos, era a memória individual , ligada geralmente à personalidades locais, e não a memória coletiva.
Leia mais sobre a 6º Semana dos Museus:
-entrevista com Ulpiano Bezerra de Meneses
-entrevista com Helouise Costa, coordenadora do evento
-palestra de Maria Helena Machado sobre a coleção do Peabody Museum
-palestra de Toshio W. sobre o reconhecimento da arte japonesa pelo Ocidente
- palestra de abertura da Semana dos Museus de Bruce Altshuler
- apresentação de pesquisa de Elisio Zanotti sobre os museus locais |