Artistas trazem o Acre
para dentro
da Bienal
O último seminário, de uma série de seis, promovido pela 27ª Bienal de São Paulo, reúne dias 10 e 11 de novembro antropólogos, literatos, indigenista da Funai
e críticos de arte em torno do tema Acre.

Susan Turcot
Debates levantam questões relacionadas
a fronteiras, territórios
e conflitos
entre os povos que vivem juntos
Com a mediação do curador José Roca, a 27ª Bienal de São Paulo realiza nos dias 10 e 11 de novembro o sexto e último seminário internacional, que encerra um ciclo de conferências em torno dos valores que guiam a produção artística contemporânea apresentada no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, desde 7 de outubro. Organizado pelo co-curador José Roca, o seminário “Acre” traz para a Bienal a discussão sobre fronteiras, territórios e conflitos entre os povos que vivem juntos na mesma região. O presidente da Bienal, Manoel Francisco Pires da Costa, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participarão da abertura do seminário,
na sexta-feira (10 de novembro), às 19 horas.
O Acre, Estado brasileiro antes pertencente à Bolívia, foi adquirido pelo Brasil em 1904 e ocupado por seringueiros. Numa terra que serviu de empreendimento comercial, ocupação extrativista e fonte de riqueza biológica, a contestação está na origem de seu desenvolvimento, situando a história do território entre questões abarcadas pelos eixos conceituais desta 27ª Bienal.
“Dentro da reflexão de Roland Barthes acerca do viver junto, um dos tópicos mais analisados é o cuidado entre ritmos diferentes de vida, de modo que o singular não perca sua batida própria quando adere ao coletivo. No Acre, mesmo após o colapso do ciclo da borracha, podem ser ouvidas as lendas dos povos da floresta amazônica e a luta dos seringueiros contra a desfiguração da paisagem”, explica a curadora-geral da 27ª Bienal, Lisette Lagnado.
Artistas trazem o Acre
para dentro da Bienal
Este universo está presente na 27ª Bienal em obras do artista acreano Hélio Melo e estrangeiros que fizeram residência em Rio Branco e áreas circundantes. A obra de Hélio Melo é apresentada como projeção da estética local ao lado do garimpo de três artistas residentes que trouxeram o Acre para dentro de suas obras: Alberto Baraya, Marjetica Potrc e Susan Turcot. O primeiro lembra a tautologia produtiva da região com sua árvore feita do látex extraído do tronco que serviu de modelo para a obra. Marjetica
Potrc reflete sobre as soluções encontradas para levar educação e tecnologia aos pontos mais remotos da floresta. Susan Turcot pesa as diferenças entre a concepção indígena do mundo e a realidade da construção da Transamazônica em sua instalação.
“No contexto da 27ª Bienal, cujos principais temas incluem a possibilidade de convivência pacífica, em um mesmo território, de sociedades com ‘ritmos internos’ diferentes, o Acre pode ser considerado o lócus de preocupações tais como a busca de formas alternativas de comunidade e a construção de um espaço comum; justiça ambiental; estratégias de sobrevivência; inclusão do não-artista e do forasteiro como exemplos vitais do processo criativo; a questão das populações indígenas do Brasil; fronteiras políticas; isolamento e a tradição do pensamento; novas formas de coletividade; viagem e deslocamento como formas de conhecimento; a floresta e seus produtos como insumos do fazer artístico; autodidatismo e outros assuntos relacionados”, explica o co-curador José Roca, que organiza o encontro “Acre”.
Participam do seminário os conferencistas: José Carlos Meirelles, David Harvey, Francisco Foot Hardman, Manuela Carneiro da Cunha, Jimmie Durham e Thierry de Duve.
PROGRAMA:
10 de novembro
18h00 – credenciamento
19h00 – conferência: “Índios isolados e o direito à terra” – José Carlos Meirelles
19h45 – conferência: “Cosmopolitanismo e as geografias de liberdade” – David Harvey
20h30 – debate
21h30 – encerramento
11 de novembro
MANHÃ
10h00 – conferência: “A fronteira amazônica como voragem da história: impasses de uma representação literária” – Francisco Foot Hardman
10h45 – coffee break
11h00 – conferência: “Conhecimento tradicional e conhecimento científico podem viver juntos? O exemplo do Acre” – Manuela Carneiro da Cunha
11h45 – debate
TARDE
15h00 – conferência: “Uma situação intolerável” – Jimmie Durham
15h45 – coffee break
16h00 – conferência: “Será que a arte pode nos ensinar a viver junto?” – Thierry de Duve
16h45 – debate
18h00 – encerramento do seminário
Serviço:
ACRE – 6º SEMINÁRIO INTERNACIONAL DA 27ª BIENAL DE SÃO PAULO
Tema: Acre
Organização e mediação: José Roca, co-curador da 27ªBSP
Conferencistas: David Harvey, Francisco Foot Hardman, Jimmie Durham, José Carlos Meirelles, Manuela Carneiro da Cunha e Thierry de Duve
Dias: 10/11 e 11/11
Preço: R$ 52,00 e R$ 27,00 estudantes – PARA OS DOIS DIAS
Local: AUDITÓRIO DA FUNDAÇÃO BIENAL DE SÃO PAULO
Inscrições: Tel.: (11) 5576 7600 ramal 7678 (falar com Gabriela) -
Fax: 5549 0230 - seminarios27bsp@bienalsaopaulo.org.br
imagens e infos/ Divulgação

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