Os artistas falam entre si, independente de situações e de épocas que os separam. Estabelecem relações de contrastes e semelhanças entre as diversas vivências artísticas na busca de seu próprio processo criativo.
Às vezes essa troca é consciente e organizada.
Outras, simplesmente, acontece, num aparente
jogo espontâneo de proximidade, de
complementaridade.
Diálogos entre artistas
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Renoir
Auto-retrato, 1910 |
Oscar Pereira da Silva
Velho com cachimbo |
Quando Pereira da Silva foi pela primeira vez a Paris em 1887, ávido por aprender as técnicas da boa pintura com os mestres das academias, os impressionistas faziam o caminho contrário. Já haviam largado as tradições rígidas da École de Beaux Arts há tempos, e buscavam, fora dos ateliês, ao ar livre, respostas as suas inquietações. Com eles, a concepção hierárquica de gêneros cairia por terra e os motivos corriqueiros, eleitos então pelos artistas, pareciam intenções casuais . O que importava, de fato, era o registro do movimento da luz nos objetos, a transparência, o compromisso estético com a efemeridade do momento. A paisagem, por ser um arranjo da própria natureza foi o gênero escolhido, mas mesmos os retratos, que muitos continuaram a pintar, deixavam transparecer uma naturalidade distante da pose artificial exibida pela arte acadêmica

Renoir - No terraço, 1881
Entretanto, a ausência completa de rigidez na construção da obra trouxe para os impressionistas, alguns de formação clássica, questionamentos que transformariam esse final de década na chamada crise do Impressionismo. Alguns, como Degas e Renoir, voltariam seus interesses à elaboração tradicional do desenho e outros, como os pontilhistas Seurat e Signac, seguiriam novas concepções artísticas. Em 1886, os Impressionistas teriam se reunido pela oitava e última vez numa exposição em Paris e depois disso o grupo dissolveu-se. Foi justamente nesse momento que Oscar Pereira chega a Paris.

Renoir - Duas Jovens, 1881
Auguste Renoir foi um dos artistas a achar que o modelo dos Impressionistas já havia se esgotado. Percorreu um caminho de volta às preocupações com a construção equilibrada do desenho. Diante de um estudo mais cauteloso, talvez pudéssemos precisar se o movimento de refluxo impressionista na trajetória de Renoir teria, em alguns de seus momentos artísticos, alguma confluência com o movimento da busca da representação espontânea que se deu com Pereira da Silva. Para Ruth Sprung, pesquisadora especialista em artistas do século XIX, Oscar Pereira passaria a pintar com a paleta mais leve e solta, livre da rigidez da composição, quase no final da vida (o pintor faleceu em 1939).

Oscar Pereira - Dona Julia tricotando,s/d
Diante dos quadros expostos na mostra da Pinacoteca, esse levantamento, entretanto, é de difícil solução. A maioria dos quadros provenientes das coleções particulares não possui datação. Conjecturas à parte, é interessante observar que apesar das origens e interesses diferentes, os trabalhos de Oscar Pereira e Auguste Renoir dialogam entre si, convergindo em alguns aspectos, ora na forma ou no tema, apresentando semelhanças que merecem ser analisadas.
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Renoir
Moça com sombrinha, 1883 |
Oscar Pereira
Moça com guarda-sol,s/d |
Ler o artigo de Jorge Coli na edição Especial Degas intitulado O Classicismo do Invisível que trata justamente desse período de questionamentos ao Impressionismo.
( clique aqui)

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