Jornada Acadêmica
discute a interdisciplinaridade
em estudos sobre arte
Flávia Cristina B. Biazetto

A Primeira Jornada de Literatura alemã - O diálogo da Literatura alemã com Cinema, Fotografia, Pintura, Quadrinhos e Música - ocorreu entre os dias 25 e 27 de setembro, na Universidade de São Paulo (Usp). O evento possibilitou o encontro entre estudantes da graduação da universidade promotora do mesmo com pós–graduandos e professores de diversas instituições do país.
A novidade dessa Jornada foi a possibilidade de discutir a inter-relação entre as várias áreas da arte e a literatura. Durante a abertura, a organizadora do evento, a professora Drª Claudia Dornbusch, falou que pela primeira vez a área de Literatura alemã da Usp realizou este tipo de encontro com a presença de pesquisadores e professores de outras universidades.
O primeiro palestrante, Norval Baitello Jr, professor de Comunicação da Puc, abriu a jornada com a apresentação intitulada: Além da Literatura e da História da Arte: a biblioteca e a 'ciênciasemnome' de Aby Warburg, que expôs idéias que permearam todas as outras palestras. Baitello narrou a história de Warburg, um idealizador de uma biblioteca em Hamburgo, cujas pesquisas provaram que as imagens presentes nas artes surgiram no mundo pagão e são constantemente re-vividas em todas as manifestações artísticas. Warburg refletia sobre a ligação entre oralidade, visualidade e escrita nas artes, criando, assim, uma nova maneira de se pensar nas formas artísticas citadas, que a nomeou de “ciência sem nome”. Segundo Baitello, esta ciência seria uma “Ciência da Cultura”, que abrangeria todas as áreas das humanidades.
Na abertura ainda houve a exposição de Márcio Seligmann (UNICAMP), que descreveu as diferentes formas de representar o holocausto nas artes. O palestrante citou autores e mostrou slides de fotos, quadros, montagens, quadrinhos, instalações, filmes e anti-monumentos. Seligamann tentou evidenciar que certas idéias transpassam pelas artes e são expressas de acordo com os recursos e linguagens que cada área artística dispõe.
A presença de temas comuns nas artes foi um outro aspecto destacado pelos conferencistas. Podemos citar como exemplo as palestras sobre cinema, que mostraram as diferentes maneiras de representar um mesmo tema nas artes. Além disso, estas exposições compararam, também, obras literárias com peças cinematográficas, sempre destacando a maneira como os artistas trabalham com os diferentes recursos.
Dentro desta mesma linha expositiva, Selma Meireles, da Usp, destacou a adaptação em quadrinhos do livro “A metamorfose”, Kafka. Ela mostrou como certas passagens do romance foram suprimidas sem alterar os efeitos da narrativa, pois elas foram substituídas pelos desenhos e representadas com outras formas gráficas, típicas da linguagem em quadrinhos. Algumas palestras, como a de Eloá Heise, apontaram que além da intersecção temática em obras de arte, é possível se traçar paralelos entre a forma das mesmas. Heise destacou a semelhança entre a composição do romance “Tonio Kröger”, de Thomas Mann, e as sonatas musicais.
O evento promoveu a possibilidade de reflexão sobre a interdisciplinariedade e a necessidade de pesquisas que a envolvam para que haja uma compreensão mais abrangente e multi-lateral da arte.
Imagens (p.principal e interna) da biblioteca criada por Aby Warburg durante toda sua vida (1866-1929).
http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/resources/aguerreiro-pwarburg/index.htm

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