| 120 anos de nascimento de Tarsila do Amaral |
Paris dos anos 20: brilho, festas, balés e concertos. A caipirinha paulista, Tarsila do Amaral: Percurso afetivo
Margarida Nepomuceno Com um orçamento aproximado de R$1 milhão, o Espaço Cultural da Bolsa de Mercadorias & Futuros, no centro de São Paulo, inaugurou em 25 de outubro, a mostra Tarsila do Amaral, Percurso Afetivo - 120 anos de nascimento. Em um espaço expositivo totalmente remodelado, dadas as exigências de climatização e segurança que as obras requerem, estarão à disposição do público, inclusive nos finais de semana, dezenas de obras e objetos da artista modernista. Além dessas grandes obras trazidas de acervos públicos e de coleções particulares, em grande parte da própria família da artista, fazem parte da mostra desenhos e esboços das obras, posteriormente realizadas, e ainda objetos de uso pessoal que visam fornecer uma noção mais exata da exuberante personalidade de Tarsila: seus pincéis, o binóculo, blocos de anotações, e um fantástico diário de viagens que contém boa parte de suas recordações dos anos em que residiu em Paris, na década de 20. Tarsila era chamada por Oswald de Andrade, seu segundo casamento, de caipirinha vestida por Poire - famoso estilista francês, amigo dos modernistas europeus - e uma das pulseiras produzidas por ele, especialmente para Tarsila, também será exibida. Para Tarsilinha, a exposição dos objetos pessoais da artista aproxima o público, prática museográfica exercida com frequência pela curadoria do Espaço Cultural BM&F nas exposições realizadas naquele local. A equipe curatorial, composta por Antonio Carlos Abdala e pela sobrinha-neta Tarsilinha do Amaral, não pretendeu, com a realização dessa mostra, promover um novo entendimento das obras de Tarsila, mas pontuar uma trajetória afetiva da artista, através das obras e objetos pessoais, para muitos ainda desconhecida. “Muito já se falou e escreveu sobre Tarsila do Amaral (...)”, diz Abdala, mas o fascínio que causa o mito da modernista, desperta ainda muita curiosidade.
Com raridade, as obras de Tarsila estão ausentes de exposições coletivas que se refiram ao período modernista ou à arte brasileira em geral, mas a última mostra individual da artista não foi no Brasil. Foi em Paris, na Maison de L´Amerique Latine, em 2005, durante as comemorações do Ano do Brasil na França. A exposição, intitulada Peintre Brésilienne à Paris 1923-1929, foi co-projetada pelo crítico Paulo Herkenhoff, na época à frente do Museu Nacional de Belas Artes, e por Brigitte Hedel-Samson, do Musée Nacional Fernand Léger. Em 2002, Tarsila do Amaral dividiu com Di Cavalcanti a mostra Mito e realidade no modernismo brasileiro, realizada no MAM, com curadoria de Maria Alice Milliet. Catálogo Raisonné de Tarsila do Amaral Segundo Tarsilinha, já está sendo organizada a catalogação de todos os trabalhos da artista , através da produção de um catálogo raisonné ( catálogo pensado) que deve estar finalizado em 2007. O trabalho, realizado pela Base 7 – Projetos, tem como base a catalogação das obras da artista feitas em 1970 pela sobrinha e crítica de arte Aracy Amaral, que atua como consultora do projeto. Já estão catalogadas cerca de mil obras da artista e de acordo com a opinião da sobrinha-neta, sua produção não é tão extensa, se comparada a de outros brasileiros como Portinari, por exemplo, que possui 5 mil obras catalogadas. Sua justificativa é que a pintora modernista seria extremamente detalhista e mesmo em suas telas de maiores dimensões, ela utilizava pincéis muito finos. No total, serão catalogados em torno de 1200 trabalhos. Leia ainda nesta edição : Ambos os textos fazem parte do catálogo da mostra Percurso Afetivo produzido pela BM&F.
Serviço Imagens - Divulgação matéria produzida em 23 de outubro e atualizada em 4 de dezembro de 2006 Voltar para edição atual aqui |