“Qualquer coisa pode ser música”
Prepare-se para ouvir John Cage

A musicista brasileira Beatriz Roman e o Centro Universitário Maria Antonia estarão proporcionando ao público de São Paulo uma das raras oportunidades de se ouvir a música experimental e revolucionária de John Cage, através das mãos de quem o conheceu pessoalmente. Em 29 de novembro, às 20h00, a pianista brasileira estará realizando um recital de piano cujos destaques serão as obras do músico americano, comentadas por ela antes e depois da apresentação de cada uma delas. Beatriz teve a oportunidade de conhecê-lo no Brasil, na 17ª Bienal Internacional de São Paulo , e, posteriormente, a partir de 1985, quando trabalhou com ele durante o período em que morou e estudou em Nova York.
Através de suas atividades como concertista Beatriz Roman tem ministrado Master Classes em vários festivais internacionais e universidades no Brasil e Exterior, o que lhe valeu o título de Doctor Of Musical Arts , recentemente conferido pela City University of New York.
Experimentalismo em John Cage
John Cage( 1912-1992) fez parte de um grupo estridente de artistas, compositores e artistas plásticos, que renovaram nos anos 50 e início dos 60, o interesse pela estética dadaísta em contra-posição ao que eles denominavam de preocupação com a pureza formal da arte. Não constituíram um movimento organizado pois eram fruto de uma mescla de artistas vindos de várias correntes artísticas de Nova York que tinham como principal preocupação, segundo a historiadora Amy Dempsey ( Escolas, Estilos e Movimentos, Cosac & Naif, 2003) , ampliar o espaço de criação “apropriando-se de materiais não-artísticos, abarcando a realidade cotidiana e promovendo a cultura popular”. Para esses artistas a cooperação e a socialização da arte eram algumas das principais características da nova estética.
Os chamados neodadaístas não atuavam somente no campo das artes plásticas. Mobilizavam-se com outros artistas como os poetas e literatos, músicos e dançarinos e herdaram também do dadaísmo o compromisso social e político com o seu tempo . O uso de materiais não nobres na arte era justificado como protesto contra “as tradições de arte elevada”( Idem).
John Cage era um dos mais influentes artistas, ao lado de Larry Rivers, de Jasper John e Rauschemberg. Sua máxima “ a arte, em vez de ser um objeto feito por uma pessoa, é um processo desencadeado por um grupo de pessoas. A arte é socializada”, seria seu passaporte para a participação de grupos e movimentos importantes da geração dos anos 50 e 60 , especialmente o Fluxus, movimento que considerava-se herdeiro do neodadá. Com o Fluxus, o individualismo artístico caiu por terra. Suas características eram a prática socializadora e a atuação comunitária, sempre em expansão, com artistas de disciplinas e nacionalidade diversas.
Para Cage qualquer coisa poderia ser música
Emmetts Williams, historiador e crítico de música faz um paralelismo entre o movimento Fluxus e a estética de Cage (FLUXUS, Apud Amy Dempsey). Para ele, “da mesma maneira que Cage permitia que qualquer coisa se tornasse música, o Fluxus permitiu que qualquer coisa fosse usada para a arte”.
Escreve: “(...) Eles ( os artistas do Fluxus) eram ativistas anárquicos, como os futuristas e os dadaístas tinham sido antes deles, e radicais utópicos, como os construtivistas russos. Influências mais imediatas foram a antologia de Robert Motherwell, The Dada painters and Poets ( 1951) e o compositor experimental John Cage ( 1912-1992) (...). Muitos dos compositores e artistas visuais do Fluxus conheceram pessoalmente Cage ou estudaram com ele, no Black Mountain College ou na New School for Social Research, em Nova York. (...) A influência de Cage difundiu-se internacionalmente graças a sua excursão européia, realizada entre 1958 e 1959, durante o qual ele realizou o concerto denominado de “indagações”.
Serviço
John Cage, antes e depois
Beatriz Roman
Centro Universitário Maria Antonia
Rua Maria Antonia, 294. Vila Buarque
Tel. ( 11) 3237 1815

|