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Agenda de Dezembro

 


Cartazes das
Bienais
dos anos 50

Artistas ligados
 aos cursos de artes gráficas criados pelo
Instituto de Arte
Contemporânea do Masp - o IAC -  criam os primeiros Cartazes das Bienais
Heloísa Dallari

 

História das Bienais

A Vez dos Curadores
Na Parte 5 do ensaio
História das Bienais, a antropóloga Rita de Cássia Alves Oliveira mostra o surgimento da figura poderosa dos curadores das bienais.

 

Acre,
último seminário
da 27ª Biena
l



As questões sociais dos
indígenas e seringueiros
foram a tônica do
Seminário Acre

 

No Centro Universitário
Maria Antonia
prepare-se para ouvir
John Cage

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mostras na Graphias

Galeria Graphias apresenta trabalhos de

Nardin e dos irmãos Matuck


Nardin

Margarida Nepomuceno

                                                   
                   Quem olha os desenhos do paulista Ermelindo Nardin procura encontrar para além dos traços mais aparentes ´resíduos` ou ´rastros` daquilo que deu origem aos seus trabalhos. É através das ´frestas` deixadas pelo artista ,propositadamente, em suas pinturas, desenhos e gravuras,  que o observador mais atento encontra pistas que o levam a percorrer, o processo de criação do artista. Às vezes, ele até pensa que encontra, que atinge a intimidade do artista, outras,  se dá conta de  que pode simplesmente deixar-se levar pelos caminhos harmoniosos entre massas pictóricas e linhas.  Nardin - desenhosrecentes, mostra individual do artista, está exibindo desde o dia 11 de novembro, na Casa de Gravura Graphias, na Vila Mariana, a produção do artista dos dois últimos anos.  Além da série de desenhos, o artista exibe também trabalhos de gravura em metal e pinturas em aquarelas.
                    No mesmo local, com abertura prevista para 9 de dezembro, a Galeria Graphias estará inaugurando a mostra Desenhos Varzianos – trabalho a oitoolhos, que apresentará desenhos produzidos conjuntamente pelos irmãos artistas Carlos e Rubens Matuck.



Nardin

Artista e educador

                  Artista contemporâneo, com nome destacado entre os gravadores e pintores, a trajetória artística de Ermelindo  Nardin não deixou de lado o incentivo cultural. Foi professor de desenho e pintura no Instituto de Arte da Universidade de Campinas, onde, aliás, reorganizou a Galeria de Arte local, promovendo eventos com a presença de representantes significativos da nossa arte. Além de suas atividades como artista e professor, Nardin participou da formação do Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba e do Salão do Humor, também de Piracicaba, atualmente de expressão internacional. Como divulgador cultural, Nardin tem contribuído para inúmeras instituições, já que considera fundamental a realização de eventos em “que a gravura se faça visível”. Atualmente, é professor de graduação e de pós-graduação da Faculdade de Artes Santa Marcelina, São Paulo.
                  A realização da exposição é da própria galeria e a curadoria é da historiadora Mayra Laudanna, a mesma que em 2001 registrou  na série Entrevista de Artista, da Ateliê Editorial, depoimentos de Ermelindo Nardin sobre seus trabalhos em pintura, gravura e desenhos.


Nardin

           Leia trechos dessa entrevista.

                   Mayra Laudanna –Como é o seu processo de pintura atual?
                   Ermelindo Nardin – Essa minha pintura vem vindo já há muitos anos; tem uma transformação da imagem. Num primeiro momento ela foi bem figurativa, veio da figuração: da figura humana da paisagem. Eu acho que cheguei agora, neste momento, a um processo em que a figura e a paisagem se unem quase num processo de simbiose e formam uma imagem que resulta em fragmentos dessa paisagem e dessa figura humana.

                   ML – Fale um pouco mais desse seu processo de somar uma pintura á outra
                   até o momento em que você chega a dizer “É isso”.
                   EN-  Eu nunca termino a pintura. Ela fica em aberto e eu volto a ela outras vezes. Essa sobreposição de pintura sobre pintura cria uma ressonância matéria e cria um sentido de tempo. Isso tudo é amarrado por esse grafismo que vem estruturando essas manchas sobrepostas, mas tanto o grafismo como as manchas são trabalhados juntos, não tem um primeiro.

                   ML – E essa idéia de sobreposição vem de algum outro trabalho que você
                   desenvolve...
                   EN – Isso sempre esteve na minha cabeça, essa coisa de sobrepor. Eu gosto das manchas das paredes, dessa coisa pintada e repintada, dessa mistura usada. Fica uma pátina de envelhecimento, de ressonância mesmo. Mas essa idéia se firmou quando passei a usar cor na gravura em metal: a usar placas, duas ou três, cada placa com uma cor. Isso clareou essa idéia de sobreposição; ficou uma sobreposição muito mais objetiva.

                   ML – Nardin, mas há alo em suas pinturas atuais que me remetem às de                     68...
                   EN – As pinturas de 68 vêm de uma pintura figurativa de 62, 60; é uma pintura mais de representação. A história toda da minha pintura começa aí: ela vem da representação e vai se transformando numa pintura que é aparentemente abstrata – pelo menos é o que foi dito - , mas não é. Ela sempre teve uma ligação com a paisagem e a figura: ela cria essa atmosfera de paisagem e figura gráfica.

                   ML – E como você trabalha as suas gravuras?
                   EN – Quanto à gravura, eu gostaria de falar primeiro sobre a idéia da gravura dos últimos anos, de onde ela vem, como é que ela se constrói. Eu falei da pintura, que vem da figura e da paisagem, a gravura também tem essa direção. Eu sempre olho alguma coisa: a minha pintura não é abstrata, nem a minha gravura é abstrata, ela vem da natureza. É um olhar através. Essas frestas que aparecem na pintura – eu tenho pensado muito isso -, são frestas das paisaens, fresctas das folhagens, da luz que ultrapassa os verdes da natureza. Vê-se isso na gravura; mesmo o desenho tem muito disso. É nessa direção que eu trabalho...

                   ML – Não quer falar um pouco sobre o desenho?
                   EN – O desenho é um desenho mesmo, contém a cor e é só um trabalho de linhas. Mesmo assim eu tento fazer uma mancha, uma matéria densa com a hachura: é a linha que corre abre o papel. Essa linha fecha um pouco, não é como está acontecendo na pintura, que é um grafismo rápido e aberto. No desenho fecha um pouco, cria uma forma interna inclusive. Mas é sempre uma linha rápida que constrói.

Serviços
Graphias - Casa da Gravura

Nardin: desenhos recentes e
Desenhos Varzianos, trabalhos a oito olhos
De Carlos e Rubens Matuck
( Inauguração 9 de dezembro)
Aberto: 5ª feira e 6ª feira, das 13h00 às 19h00  e
Aos sábados das 13h30 às 17h00.
Além desses dias só com agendamento prévio
Rua Joaquim Távora, 1605
Vila Mariana, São Paulo, SP
Metrô Santa Rosa
cep : 04015 003
fone/fax : (xx11) 5539 1358
graphias@terra.com.br
www.graphias.com.br
Publicação: Entrevista de ArtistaErmelindo Nardin, Mayra Laudanna, Ateliê Editorial, 2001, São Paulo- à venda no IEB/USP.

 

 

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