Mario de Andrade dedicou a Clóvis Graciano uma parte nobre da sua crítica A Familia Artística Paulista, escrita de julho a dezembro de 1944, numa demonstração de reconhecimento do trabalho do artista. Em um dos trechos, o crítico modernista discorre sobre a originalidade e a forte vertente experimentalista de estilos e fazeres novos que caracterizam a obra do artista paranaense: “É curioso mesmo observar o caráter da originalidade de Clóvis Graciano. A sua obra não lembra ninguém. Mas ao mesmo tempo não se marca por nenhum personalismo excessivo, muito confundível com a receita, e não raro ruminantes de cacoetes”. E continua em sua crítica Mario e Andrade: ”Existe uma moda de individualização também, moda e mania, que muitas vezes engana apenas enquanto moda”. E adiante enfatiza que se “Clovis Graciano não se parece com ninguém, também não insiste em parecer demasiado consigo mesmo” referindo-se ao fato do artista apresentar uma versatilidade em seu trabalho e “abandonar”, segundo suas próprias palavras um determinado processo ou caminho estético para explorar novas técnicas.
Felizmente poderemos ver de perto essa relação entre a crítica de Mario de Andrade e o conjunto da obra do artista citado. Desde o dia 18 de abril, a BM&F está homenageando Clóvis Graciano com a abertura da mostra Centenário de Clóvis Graciano na BM&F, no espaço cultural da instituição, no centro de São Paulo. Quarenta obras estão sendo apresentadas ao público, entre desenhos, nanquim sobre papel e bico de pena, guache, crayon, monotipia, óleo sobre papel, sobre tela e sobre madeira e têmpera sobre madeira -. Os trabalhos expostos foram produzidos entre e 1936 e 1976 e entre os destaques encontram-se o grande painel A Banda, óleo sobre tela de 1961, medindo 1,48m x 5,97m; Banda, óleo sobre tela de 1966; e Dança Ritual, óleosobre madeira de 1950. Além das obras, a mostra trará objetos e fotos. A mostra tem como curadora a pesquisadora Maria Helena Prudêncio, responsável pelo projeto de catalogação das obras do artista em curso.

Músicos e Pássaros
óleo sobre tela -
100x80cm
Coleção particular
Clóvis Graciano, pintor, desenhista, gravador, ilustrador e cenógrafo, fez parte do Grupo Santa Helena (1937), foi presidente da Família ArtísticaPaulista (1939), sócio-fundador do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Entre as décadas de 50 e 60, produziu mais de 100 grandes murais para a cidade de São Paulo – entre os quais o que existe na avenida Rubem Berta, com a história da cidade.
Serviço
Centenário de Clóvis Graciano na BM&F
Espaço Cultural da BM&F
Bolsa de Mercadorias & Futuros
Praça Antonio Prado, 48, Centro, São Paulo.
De 18 de abril a 22 de junho
De segunda à sexta das 10h às 18h
Entrada franca
Visitas monitoras e acesso a portadores de deficiências.
Mais informações pelo telefone (11) 3119-2404
Imagens divulgação |