Cores Primárias - Edição 12
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Torres Garcia: geometria, criação, proporção

Escrito por Margarida Nepomuceno. Posted in América Latina

Da Arte Mediterrânea
ao centro de seu próprio universo latino-americano

 

                      Os paulistas terão ainda uma semana (até 26 de fev) para ver na Pinacoteca de São Paulo, as 150 obras que compõem a mostra denominada “Geometria, criação, proporção”, que fazem parte de um período de trinta anos de criação do uruguaio Torres Garcia.  A exposição, em cartaz desde o dia 3 de dezembro é resultado de um projeto que envolveu a Fundação Iberê Camargo, sediada em Porto Alegre - onde esteve aberta ao público por dois meses-, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu Torres Garcia, de Montevidéu. São obras que representam um período importante da trajetória do artista uruguaio, de 1913 a 1943, definidoras do que ele denominaria a partir da década de 20 de  Universalismo Constructivista. 
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Torres Garcia no Brasil

Escrito por Da Redação. Posted in América Latina

Laços refeitos, enfim!

 

                A mostra de “Joaquín Torres García -Geometria, criação,proporção”, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, e,  na Fundação Iberê Camargo  no final do ano passado, traz um expressivo recorte do acervo do Museu Torres Garcia, do Uruguai  para o Brasil ( leia matéria nesta página) e tem uma significação de extrema importância, depois do nefasto incêndio ocorrido no MAM do Rio de Janeiro, em 1978, quando 80 obras do artista foram totalmente destruídas. Obras que faziam parte de uma retrospectiva histórica do artista, cuja perda atingiu uma dimensão incalculável. O evento comemora uma reaproximação, ou uma retomada de confiança daquele país  nos museus do Brasil, que ficou, por certo, abalada depois da tragédia. É bom lembrar que essa aproximação  foi reiniciada em 1994, por ocasião da XXII Bienal Internacional de São Paulo, quando uma das 26 salas especiais criadas pelo curador Nelson Aguilar, abrigou as obras do artista (leia matéria nesta página). Em 2007, foi a vez do Museu Oscar Niemayer, em Curitiba, receber do mesmo museu uruguaio, as coleções dos brinquedos de madeira desmontáveis do artista, seus desenhos e algumas pinturas. Para sermos mais exatos: foram expostos 130 trabalhos no total de 24  brinquedos, 98 desenhos e 8  pinturas da fase de Paris. Cores Primárias lá esteve e pode registrar a excelente acolhida do museu paranaense.

 

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Testemunho e poesia nas fotografias de Manuel Álvarez Bravo

Escrito por Margarida Nepomuceno. Posted in Exposições

O eclipse, 1933
Manuel Álvarez Bravo © Colette Urbajtel/ Asociación Manuel Álvarez Bravo, a.c.

 

          A exposição do fotógrafo mexicano Manuel Álvarez Bravo ( 1902-2002) em curso no Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio de Janeiro, apresenta-nos a rara oportunidade de conhecermos um dos fotógrafos mais importantes da história da fotografia moderna latino americana. A exposição tem como curadores  Sergio Burgi, coordenador de fotografias do IMS, e Aurélia Álvarez Urbajtel, filha do fotógrafo,  e objetiva mostrar uma panorâmica dos 70 anos de atividade do artista, com trabalhos  que remetem ao início dos anos 20 até as últimas produções, em 1990.
 
          Álvarez Bravo percorreu todos os trajetos da fotografia moderna: dos registros políticos e sociais, ao experimentalismo geométrico ou às construções surrealistas; dos retratos e das cenas do cotidiano da vida indígena aos registros dos encontros da vanguarda cultural mexicana e internacional. Deixou registrado em todo o seu percurso profissional, a preocupação não somente de revelar o México dos brilhantes muralistas, que naquele momento já eram reconhecidos  como vanguardas artísticas e engajados militantes da esquerda , mas de construir uma iconografia focada na genuína cultura indígena. Poderíamos denominá-la de antropológica, não fosse a construção poética que envolve cada um dos seus trabalhos, mesmo em sua fase mais realista, no início dos anos 20, quando fotografava greves e mortes de trabalhadores.
 
          Os 400 trabalhos do fotógrafo estão divididos em núcleos cronológicos e temáticos e ocupam quase todas as salas internas  da ex-residência dos Moreira Salles, hoje sede do Instituto que leva o nome da família, no bairro da Gávea.  Fotografias como “ Trabalhadores em greve”, de 1934; “Homem de Papantia”, de 34-35; “Filha dos dançarinos”, de 1933; “Menina vendo passarinhos”, de 1931; “Caixa de visões”, de 1938, e outras, agrupam-se na sala “Surrealismo e Política”. Para os trabalhos do final da década de 30 e de 40, há também uma sala especial e aí vemos uma preocupação direta do artista em registrar poeticamente as comunidades indígenas de povoados, comunidades e vilas mexicanas: ” El tempo del trigo rojo”, de 1949; “Menino Maia de Tulim”, de 1943; “Senhõrita Juaré”, de 1934; “Baudelio”, de 1934 e o emocionante trabalho que retrata a simplicidade de um menino indígena “León de Angahuá”, de 1948,  e “Margarita de Bonampak”, de 1949, entre dezenas de outros. 
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Aprendizado e decepção no México

Escrito por Cores Primárias Pesquisa. Posted in Resenhas

Arte e política aproximam Manuel Álvarez Bravo e Tina Modotti

Fotografia de Tina Modotti

 

          Quando Álvarez Manuel Bravo e sua esposa Dolores despediram-se da fotógrafa Tina Modotti (1896-1942) na estação de trem da Cidade do México, para uma viagem que a levaria a ficar exilada do país por 10 anos, o fotógrafo mexicano por certo não imaginou que sua trajetória estaria ligada, desse momento em diante, às vanguardas artísticas e políticas do México. Foi pelas mãos de Tina, conforme seu depoimento no Excelsior,  que Bravo ficaria conhecendo seus mais famosos clientes. Os primeiros de muitos que surgiriam posteriormente a Diego Rivera, Siqueiros e Tamayo.

          Naquele 24 de fevereiro de 1930, entretanto, compartilhou com a esposa, a despedida dramática de Tina que abalada com os últimos acontecimentos políticos no México, que resultou na sua expulsão pelos órgãos políticos, disse a Bravo: “ Creio e espero voltar a vê-lo, mas em outro México e em condições menos amargas do que estas”. Segundo a pesquisadora Christiane Barckhausen Canale,  Bravo declarou que foi com a aquisição das máquinas e do material fotográfico de Tina  é que ela teria conseguido viver os primeiros anos na Europa, depois de exilada. A expulsão abrupta daquele país marca o início do fim de sua trajetória como fotógrafa e intensifica o seu compromisso com um projeto político de combate aos regimes totalitários que estavam se instalando na Europa (o nazi-fascismo e depois o franquismo),  e pelo fortalecimento dos princípios que haviam levado a Rússia a fazer a sua revolução.

          Na Europa, produziu alguns trabalhos para revistas alemãs, como a AIZ e a Arbeiterfotograf, participou de exposição dos Fotógrafos Operários ( na 2ª edição, em 1930), mas fundamentalmente, torna-se uma vigorosa militante política atuando em várias frentes do Socorro Vermelho Internacional, vinculado ao Partido Comunista,  em países como a  Alemanha, Holanda, Viena, Paris, Espanha – onde atuou na Guerra Civil Espanhola -, e na Rússia, onde residiu por alguns anos. Voltou ao México somente em finais de 1939, ainda como estrangeira” indesejável”.

 

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A gravura no processo de construção da modernidade do México

Escrito por Margarida Nepomuceno. Posted in América Latina

Homenagem a Posada
Leopoldo Méndez,1956, Linóleogravura, Coleção José Sanchez Aguillar

 
 
          A gravura mexicana exerceu ao lado dos artistas  muralistas, um importante papel na construção da modernidade das artes no México e na formação de uma identidade nacional , desde o início dos anos 20 aos anos 50. Os gravadores, alguns deles também muralistas, acreditavam no alcance social que poderia desempenhar esse tipo de produção.
 
          Do mesmo modo que a presidência do mexicano Álvaro Obregón estimulou e deu acolhida aos artistas através do Ministério da Educação ( de 1920 a 1924) com o Programa Mural – fundamental na primeira fase dessa movimento -, mais adiante, o governo do Partido de la Revolución Mexicana, representado por Lázaro Cárdenas ( 1934-1940), criou as condições políticas necessárias para que os pintores mexicanos fizessem da gravura uma expressão artística forte, uma ponte de comunicação direta e acessível com as populações indígenas e pouco letradas da época. Cárdenas daria continuidade ao programa dos murais cujo andamento estava comprometido desde a saída do Ministro da Educação, José Vasconcelos , em 1924.